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MOSCOU (Reuters) - O avião que levava o líder polonês Lech Kaczynski caiu matando todos a bordo porque a tripulação teve medo que abortar o pouso em razão do nevoeiro enfureceria o presidente, disseram autoridades da aviação russa nesta quarta-feira.
Jaroslaw Kaczynski, irmão gêmeo do presidente falecido, classificou o relatório russo sobre o acidente como "uma piada contra a Polônia".
O desastre matou boa parte da liderança política e militar da Polônia e estremeceu os laços entre Varsóvia e seu antigo mestre comunista.
Ao apresentar seu relatório final, o Comitê Interestadual de Aviação da Rússia apresentou uma gravação da voz de um membro da tripulação enquanto o avião se aproximava de Smolensk, onde Kaczynski deveria comparecer a um memorial em homenagem aos poloneses massacrados pela polícia secreta soviética em 1940.
"Ele ficará furioso", disse um tripulante em polonês. O comentário foi traduzido para o russo pelo comitê de aviação.
A diretora do comitê, Tatiana Anodina, afirmou que a decisão de aterrissar apesar do mau tempo foi a causa direta do acidente de abril, que matou 96 pessoas, incluindo a mulher de Kaczynski.
"De um lado, ele (o piloto) sabia que o avião não deveria pousar nessas condições; por outro, havia uma forte pressão a bordo para aterrissar o avião", disse ela na apresentação do relatório para a imprensa.
Anodina disse que a presença no avião de Kaczynski e do chefe da Força Aérea polonesa, Andrzej Blasik, dentro do cockpit, influenciou a decisão do piloto de não abortar a aterrissagem.
"A suposta reação negativa do principal passageiro (à recomendação de não pousar) colocou pressão psicológica nos membros da tripulação e influenciou a decisão de prosseguir com a aterrissagem", afirmou Anodina, referindo-se a Kaczynski.
Não havia nenhuma evidência aparente na gravação do voo de qualquer ordem direta vinda de Kaczynski.
Exames indicaram que Blasik tinha traços de álcool no sangue, disse Anodina.
Jaroslaw Kaczynski negou a sugestão do relatório de que seu irmão teria feito pressão psicológica sobre os pilotos para aterrissar. "Meu irmão não apresentava tendências suicidas", disse ele.
"O relatório coloca toda a culpa nos pilotos poloneses e na Polônia sem nenhuma prova... O relatório é uma piada contra a Polônia", disse ele numa entrevista coletiva, acrescentando que seu partido, o Lei e Justiça, de direita, pediria que o Parlamento rejeitasse o documento.
O primeiro-ministro Donald Tusk encurtou uma viagem de férias no exterior para conversar com autoridades sobre o relatório russo.
Fonte: Uol Notícias
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